Qual é a taxa de adesão à higiene das mãos na sua instituição?

A preocupação com a transmissão das infecções é um assunto que inquieta diversos pesquisadores e profissionais de saúde do mundo todo. Diversos estudos têm surgido com objetivo de monitorar a adesão à Higienização das Mãos (HM) tendo como desafio a divulgação de estratégias que incentivem maior adesão e manutenção dos níveis ideais de HM nas instituições.


Embora não haja dúvidas a respeito da eficácia da HM e da simplicidade desta prática, a baixa adesão nos hospitais tem sido reportada por diversas pesquisas. É importante pensarmos que, tanto a adesão à HM quanto a não adesão acarretam em consequências na transmissão de patógenos e o desenvolvimento de infecções relacionadas à assistência à saúde. Isso porque a HM não é apenas uma opção ou uma questão de senso comum ou mera oportunidade. Ela corresponde a uma técnica que deve ser valorizada e executada de forma correta, em momentos específicos e precisos durante a assistência ao paciente. São eles:

1) antes do contato com o paciente;

2) antes de realizar procedimentos assépticos;

3) após exposição a fluidos corporais;

4) após contato com o paciente;

5) após contato com áreas próximas ao paciente.


Como medir a taxa de adesão à HM nas instituições de saúde?


Existem várias formas de mensurar a adesão à HM. Dentre as tecnologias existentes, a observação direta é recomendada pela OMS como padrão-ouro. Embora tenha como desvantagem o efeito Hawthorne, ocasionado pela mudança de comportamento do profissional na presença do observador no ambiente de trabalho, o referido método de avaliação apresenta importante vantagem para instituições que desejam melhorar a adesão à HM, uma vez que possibilita verificar de forma criteriosa o comportamento dos profissionais e avaliar as lições aprendidas, bem como as falhas remanescentes. Estudos recomendam que a observação seja discreta ou por longos períodos para acostumar a equipe quanto à presença de observadores como uma maneira de reduzir o efeito hawthorne de se sentirem observados.





Qual é o papel do observador?


O principal papel do observador é observar as práticas assistenciais e reunir dados sobre a HM, usando o Formulário de Observação disponibilizado pela OMS(5). Antes de fazer isso, ressalta-se que o observador deve ser um profissional de saúde familiarizado com os cinco momentos de HM e ter sido previamente treinado para exercer a função.

Durante as sessões de observação é possível identificar aspectos comportamentais dos colaboradores, registrar o cumprimento da HM nos cinco momentos, verificar a frequência do uso de preparações alcoólicas e água e sabonete, além disso, é possível mensurar o uso de luvas de procedimento, se este é realizado de forma correta ou não.

O objetivo do trabalho do observador é fornecer um retrato real da instituição acerca da adesão à HM.


Observei, coletei os dados e agora?


Após coletar os dados, é imprescindível tabular todos eles em planilhas eletrônicas, eu indico o Microsoft Excel®, que é uma ferramenta acessível, que permite lançar todos esses dados, gerar gráficos, tabelas e posteriormente, se a instituição optar por fazer uma análise estatística, os dados poderão ser importados para um programa específico.


É fundamental que os hospitais façam análises estatísticas dos dados coletados para garantir maior fidedignidade dos achados, estabelecer inferências que sustentem um planejamento mais robusto de estratégias que podem, de fato, melhorar a realidade da organização.


Cabe ressaltar que os resultados obtidos devem ser anônimos, e utilizados apenas para promover, instruir e treinar os profissionais de saúde. Dessa forma, a equipe responsável pela observação deverá utilizar os referidos dados para dar retorno às equipes e além disso, direcionar a campanha de HM, de acordo com as necessidades dos profissionais de saúde.


Ficou curioso para saber qual é a taxa de adesão à higiene das mãos na sua instituição? Boas práticas de monitoramento dos profissionais é o primeiro passo para planejar ações e estabelecer metas desafiadoras de HM e consequente redução de infecções relacionadas à assistência à saúde.



Saiba mais:


1. Peters, A., Borzykowski, T., Tartari, E., Kilpatrick, C., Mai, S. H. C., Allegranzi, B., & Pittet, D. (2019). “Clean Care for All—It’s in Your Hands”: The 5 May 2019 World Health Organization SAVE LIVES: Clean Your Hands Campaign. Clinical Infectious Diseases.doi:10.1093/cid/ciz236

2. Huang TT, Wu SC. Evaluation of a training programme on knowledge and compliance of nurse assistants' hand hygiene in nursing homes. J Hosp Infect. 2009;68(2):164-70.

3. Moro ML, Morsillo F, Nascetti S, et al. Determinants of success and sustainability of the WHO multimodal hand hygiene promotion campaign, Italy, 2007-2008 and 2014. Euro Surveill. 2017. doi:10.2807/1560-7917.

4. Valim MD, et al . Efficacy of the multimodal strategy for Hand Hygiene compliance: an integrative review. Rev. Bras. Enferm., Brasília , v. 72, n. 2, p. 552-565, Apr. 2019.

5. Brasil. Organização Pan-Americana da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual para observadores: estratégia multimodal da OMS para a melhoria da higienização das mãos. Brasília: OMS, 2008.

6. Chen LF, Vander Weg MW, Hofmann DA, Reisinger HS. The hawthorne effect in infection prevention and epidemiology. Infect Control Hosp Epidemiol. 2015;36(12):1444–50.

7. Gould DJ, Creedon S, Jeanes A, Drey NS, Chudleigh J, Moralejo D. Impact of observing hand hygiene in practice and research: a methodological reconsideration. J Hosp Infect [Internet]. 2017;95(2):169–74.

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