Controle de infecção hospitalar: alerta sobre segurança, gestão e qualidade

A prevenção e o controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) são um dos principais pilares de segurança nas instituições hospitalares. Isto porque, elevadas taxas de IRAS afetam diretamente a qualidade dos serviços, uma vez que gera maiores complicações à saúde, prolongamento do período de hospitalização e aumento dos encargos financeiros para as instituições.



As infecções


Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dois milhões de pessoas adquirem IRAS todos os anos nos Estados Unidos, causando aproximadamente 100.000 mortes a um custo de 4,5 a 6,5 bilhões de dólares por ano. Em todo o mundo, as IRAS são uma preocupação de saúde pública, principalmente em países de baixa e média renda, onde as referidas infecções podem ser 20 vezes maior do que em países de alta renda.

No Brasil, um estudo sobre eventos adversos identificou uma incidência de 8,4% em pacientes hospitalizados, sendo as IRAS responsáveis por 20% dos casos e eventos cirúrgicos 24,6%.



Pesquisas recentes mostraram que as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) se configuram como o principal sítio de ocorrências de infecções, caracterizado pelo atendimento de alta complexidade prestado aos pacientes críticos, com elevado número de procedimentos invasivos, acentuado perfil de gravidade dos pacientes, maior demanda de cuidados intensivos e administração de antibióticos, dentre outros.


No sentido de minimizar o impacto dos eventos adversos e promover a segurança do paciente, várias políticas públicas foram criadas para atender os desafios globais propostos pela Organização Mundial da Saúde. Dentre essas, o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) para monitorar e prevenir danos à saúde e o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS), cujo objetivo principal é reduzir a incidência de IRAS e microrganismos resistentes em todo o país.


Apesar do consenso em relação à importância desses programas para a vigilância epidemiológica de indicadores de resultados, como taxas gerais e específicas de IRAS, estudos demonstram a necessidade de complementar o monitoramento com infraestrutura baseada em evidências e indicadores de processo. A justificativa para isso é que a incidência das IRAS é um fator indireto sobre a qualidade do atendimento, uma vez que não indica diretamente quais práticas falharam e devem ser corrigidas.


Dessa forma o monitoramento desses indicadores facilita a tomada de decisões pelos administradores das instituições, pois demonstra o que pode ser incluído nos planos de ação para a implementação de boas estratégias de prevenção de IRAS. A literatura demonstra que um percentual significativo de casos de IRAS é evitável. No entanto, essa prevenção depende da adesão a Higienização das Mãos (HM) pelos profissionais de saúde. Ressalta-se que a higiene das mãos é considerada como a prática mais simples, mais segura e menores onerosa para evitar a propagação de patógenos nas instituições de saúde.


Prevenir é o melhor caminho!


De acordo com o manual sobre medidas de prevenção de IRAS disponibilizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), as instituições de saúde devem planejar junto com as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) o treinamento da equipe multiprofissional, visto que esses treinamentos impactam na redução das IRAS. No entanto, as estratégias utilizadas devem ser, multimodais, ou seja, com aplicação de metodologias ativas, dinâmicas, que busquem a identificação de não conformidades dos processos assistenciais, discussão de medidas preventivas, fortalecimento do clima de segurança dentre outras.



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Saiba mais:


1. Mendes W, Pavão ALB, Martins M, Moura MLO, Travassos C. Características de eventos adversos evitáveis em hospitais do Rio de Janeiro. Rev Assoc Med Bras, 59 (5) (2013), pp. 421-428

2. Fortaleza CMCB, Padoveze MC, Kiffer CRV, Barth AL, Carneiro ICDRS, Giamberardino HIG, et al. Multi-state survey of healthcare-associated infections in acute care hospitals in Brazil. J Hosp Infect, 96 (2) (2017), pp. 139-144.

3. Iordanou S et al. Surveillance of device associated infections and mortality in a major intensive care unit in the Republic of Cyprus. BMC Infectious Diseases, v. 17, n. 1, p. 607, 2017.

4. Gama ZAS, Saturno PJ, Ribeiro DNC, Freitas MR, Medeiros PJ, Batista AM, et al. Desenvolvimento e validação de indicadores de boas práticas de segurança do paciente: projeto ISEP-Brasil. Cad Saúde Pública, 32 (9) (2015), pp. 1-17.

5. Oliveira HM, Silva CPR, Lacerda RA. Policies for control and prevention of infections related to healthcare assistance in Brazil: a conceptual analysis. Rev Esc Enferm USP, 50 (3) (2016), pp. 502-508

6. Berríos Torres, SI, Umscheid CA, Bratzler DW, Leas B, Stone EC, Kelz RR et al. Centers for Disease Control and Prevention (USA). Guideline for prevention of surgical site infection. JAMA Surg, 152 (8) (2017), pp. 784-791

7. Zenewton A, Pedro SG da, Saturno Hernández J, Freitas MR, Padoveze MC, Cecília O, et al. Good infection prevention practices in three Brazilian hospitals: Implications for patient safety policies, Journal of Infection and Public Health, 2019.

8. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: ANVISA, 2017.


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